domingo, 9 de maio de 2010

Whiskey in the jar, oh!

Sempre temos tão pouco tempo, tudo resumido em horas, tudo corrido. E eu aqui aproveito o tempo fazendo todas as coisas que você odeia, e milagrosamente tu ainda vem falar comigo. Eu não sei o que o subcosciente quer me dizer ou te dizer com isso, de chegar aos extremos alcóolicos ou de todas as ilegalidades que eu procuro atingir na tua frente, mas acredito que tu me deixa tão à vontade que eu me sinto livre pra ser Bruno.
Tudo mudou, 1 ano e um pouco mais de um mês pra cá, e hoje eu me pergunto por que eu resolvi esperar tanto pra falar contigo, pra tentar mais uma vez. Acho que era o medo de não poder substituir o que tu já sentia por outro alguém, medo de ter que admitir que eu fui idiota em não te querer uma vez e incompetente pra ter denovo.
E eu ainda tenho medo. Tu me faz ter medo, me faz ser inseguro, me faz pensar em ti a semana inteira, me faz esqucer de tudo e pensar no que vai ser do fim de semana, se eu vou poder ver teu rosto ou não. Me faz sentir as borboletas voando no estômago. Me faz sentir que eu tenho alguém pra ser musa das minhas letras, que tu sabe bem, é o melhor que eu posso dar.
Tu é uma em um milhão. Tu sabes que é.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Na frente da tua fuça.


Um dia as coisas todas ao teu redor vão parecer velhas e apagadas, e você não vai mais ter vontade de olhá-las. Um dia você vai se cansar de andar nas mesmas ruas, de dar os mesmos passos.
Um dia você vai enjoar da cara das pessoas. Vai deixar de dar bom dia. Vai parar de olhar as vitrines, e não vai mais querer sentar na mesma praça, no mesmo banco.
Um dia você vai reclamar da vida, e perceber que são as mesmas reclamações batidas. Seu trabalho não te agrada, sua casa está sempre vazia, sua vida está estagnada.
Um dia você vai se ver no espelho e enjoar do seu cabelo, dos seus olhos, do seu rosto, vai enjoar do que vê, pois você vê todo o dia.
Um dia os sorrisos vão custar a aparecer. Você já não aguenta mais a cara mal humorada, mas para mudar a expressão facial, você fica triste.
Um dia você vai crescer, se formar, encontrar alguém legal, achar que está ficando velho, casar, ter filhos, e passar o tempo juntando dinheiro pros estudos das crianças e pras melhorias da casa.
E aí vai perceber que por ter se acomodado, você deixou a vida toda passar. Deixou seus sonhos morrerem, deixou seu grande amor ir embora, deixou o tempo pra trás. Deixou o palco e agora está na platéia.
Um dia você vai perceber que ter uma vida pré-estabelecida é uma merda. Que se foda o planejamento, que se foda a rotina. Que se foda tudo o que eu quiser mandar se foder.
Um dia você chuta o balde, e descobre o que te faz feliz.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Quando mudam as estações

Eu não sou nenhum rei ao qual devem pagar tributos ou a quem devem idolatrar. Não preciso que me paguem impostos, que me vistam e que façam reverências à minha presença. Mas minha personalidade tem uma certa inspiração em antigas majestades, tem um quê pomposo em sua estrutura, recheada de orgulho e exigente de respeito. Sem falar na tirania presente em cada segundo pós decepção.
Creio eu que sou carinhoso, amoroso e outros osos mais que podem ser traduzidos para o lado romântico. Sou cativado facilmente, me deixo levar e me permito fantasiar muitas coisas. Mas isso tudo é preso a um lado cruel e sanguinário, que é frio o tempo que eu me permitir ser. Um lado que bate em corpo morto, que nega esmolas e que não dá o casaco pra namorada. Um lado capaz de chutar crianças.
As vezes você chega a pensar se não está virando um bandido. Eu não sei aonde isso tudo vai chegar, e não estou tão preocupado. Costumo fazer as coisas do meu jeito, e esse é o meu jeito. Quando o verão vai embora, ele leva um tempo pra voltar. Um tempo regado de frio e melancolia, um tempo em que as folhas caem.
Notei o lápis no teu olho, e não sei se foi pra me atingir, consciente ou inconscientemente. Note que o meu está nu, distante, e tudo o que eu faço é de caso pensado.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Childhood

Eu tenho poucas lembranças da minha infância. Lembro que eu me achava ridículo, e de fato era: gordinho, com roupas escrotas, o calção acima do umbigo e as meias eram quase joelheiras. Cabelo semelhante a uma tigela, bochechas grandes e um humor terrível. Lembro que os meninos de classe social mais elevada que depois de alguns anos viriam a ser meus amigos me chamavam carinhosamente de "quadrado".
Eu não convivia bem com derrotas, com o fato de ser contrariado e com decepções rotineiras. Não saía de casa, tinha medo de ficar em algum lugar sem a minha mãe. Passava as tardes brincando no tapete da sala com homenzinhos de pernas quebradas, pois sempre tive o dom de quebrar tudo o que eu gosto.
Passei vários anos sonhando com um computador, e praticamente assombrei minha mãe até ela me dar um. Afinal eu era um produto capitalista nato que adorava ganhar mais e mais e mais. Sempre tive devaneios, sempre me peguei imaginando coisas, falando sozinho, crescendo sozinho. Meu irmão nunca foi o ideal de companheiro que eu tinha, e meu pai não era um super herói - não que eles tenham culpa disso. Minha mãe também tinha que conviver com toda essa bagunça familiar, e eu acho que eu não ajudava tanto.
Eu lembro da revolta, do ódio, da vontade de quebrar tudo, de matar tudo, mas isso nunca saiu do meu mundo de desejos silenciosos, já que sempre fui um bom menino e frequentemente era citado como bom exemplo entre as mães de amiguinhos.
E foi aí que até então odiava o conceito de família percebi do jeito mais desagradável possível que eu era extremamente dependente de uma - abalaram a minha. E depois de um abalo sísmico de grande magnitude, nada é o mesmo. Não que eu possa - ou queira - dizer que esse Bruno morreu, mas ele provavelmente teve uma mudança de personalidade. Ou melhor, ele vem constantemente moldando seu eu lírico até ter o jarro que sempre idealizou.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Depressão pós ressaca

Uma garrafa de uísque pela metade e alguns maços de cigarro jogados pela mesa. Está tudo sujo, tudo jogado. Tudo fora do lugar, como ele sempre gostou. Se reparar bem, no meio de toda a bagunça você vai ver um corpo. Um corpo caído, inconsciente, mas não morto.
Não que não quisesse estar assim, mas os acasos o deixaram vivo. Cada dia mais vivo, cada dia mais convicto de sua vivacidade. Cada dia mais acostumado com o fato de que se tem que estar aqui, vai estar do seu jeito. E então as bebedeiras se tornaram constantes, o pulmão já não responde com o mesmo reflexo de antigamente. É em um ritmo desenfreado de cigarros que começa o dia, e em compassos sinuosos de alcolismo que vai se deitar. Se deitar é modo de dizer, pois cai no primeiro lugar que acha, e ali fica, com a cabeça girando, até o corpo adormecer.
E então o dia amanhece, e se mais uma vez o acaso deixar, vai acordar com a cabeça explodindo, a boca seca, o estômago embolado. E aí recomeça: outro maço pra aliviar a dor, algumas doses pra servirem de xarope, e uma folha de papel pra escrever cartas de suícidio que ninguém vai ler.
Tudo continua bagunçado, e ainda não veio ninguém limpar. E nunca vai vir. Não enquanto o cheiro de fumaça e bebida estiver no seu casaco.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Não é "oi" de cumprimento

Hoje meu cabelo estava sujo e meus olhos estavam nus. A barba pronta pra ser feita, a cara de quem apanhou, inchada de sono. Hoje estava frio. Hoje eu estava feio. Hoje eu sonhei um pouco, tive devaneios, ri alto e não fiquei triste. Hoje senti ciúmes, fiquei irritado, fui um aluno murrinhento e rabisquei cadeias carbônicas em folhas brancas. Calculei o número de eletrons que passaram pela bitola de um fio, e também a intensidade. Fiz fotos nas quais pareço delinquente juvenil, ornamentei meu ouvido mais uma vez e acabei na mesma padaria, na mesma cadeira.
Hoje eu não fiz porra nenhuma. Hoje foi um dia normal, um dia sem graça. Hoje foi mais um daqueles dias em que algumas cenas o tornam divertidos, mas que não ficam pra sempre na memória. Hoje percebi que eu não lido bem com a rotina, com o corriqueiro, o habitual. Quero hoje intenso, hoje memorável - não hoje.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Texas Hold 'Em

Eu queria poder ler seu jogo, apenas no seu olhar. Não sei se devo apostar alto, se pretende fugir, ou se vai aumentar. Teu olhar esconde a mão, não sei se está blefando ou se seu olhar confiante é a certeza de que vai vencer. Por sinal, tento ler sua mente pelos olhos, mas não consigo, você sabe como ninguém bloquear os pensamentos. Me irrita e me cativa simultaneamente. Ver você implica em uma polaridade de sentimentos incontroláveis, diferentes demais para terem a mesma fonte.
Venho tentando definir teu padrão de jogo a tanto tempo, e por mais que tenha descoberto várias características, não deixou de ser uma icognita. Já pensei ter ganho a rodada outras vezes, e acabei perdendo. Estou tentando me adequar aos seus modos, faço jogo duro também. Espero que não possa me ler, que não consiga ver o que está ficando implicito no olhar.
Quero que saiba que vejo essa partida como um desafio. Tenho medo de que abandone tudo e eu perca as fichas que apostei antes do jogo se tornar algo lucrativo. Tenho medo de apostar alto e acabar perdendo. Por isso tento ser indiferente, estou usando de uma técnica particular tua, de não revelar o que se passa por dentro.
Os melhores jogadores de poker são aqueles que não revelam as emoções, mas as vezes vitórias são conquistadas após manobras arriscadas. Enquanto isso, nos mantemos passivos, observando um ao outro, esperando alguém dar pistas de que quer aumentar as apostas.